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Actuação da Orquestra Juvenil no seu aniversário

Há uns dois ou três anos, ainda em fase de crescimento, chegou ao meu conhecimento este excelente e meritório projecto.

No Município da Samba, sob direcção da administração municipal, tinha sido iniciado, nessa época, um projecto muito interessante de apoio à população escolar do ensino básico: as crianças da escola pública, apoiadas por esse organismo da administração, para além da alimentação que lhes era fornecida, complementavam a sua instrução escolar recebendo apoio escolar e formação cívica e cultural.  Todavia, a face mais visível e interessante do projecto foi a vertente da educação musical que era ministrada aos Kaposoquinhas.

A educação musical das crianças passava pelo estudo teórico de solfejo e música, mas também pela aprendizagem de um instrumento musical. E o instrumento inicialmente mais difundido o violino.

A cada criança foi entregue, gratuitamente, um violino que passou a estar sob sua responsabilidade total. Responsabilizados pela conservação do “seu” violino, as crianças foram incentivadas a levá-lo consigo, a aproveitar todos os momentos disponíveis para reforçar a aprendizagem e a usá-lo como “atracção” para novas adesões.

O êxito desta pedagogia de responsabilidade produziu frutos rapidamente: para além da aprendizagem acelerada, o número de crianças integradas no projecto cresceu a olhos vistos: das cerca de 60 crianças iniciais,  passou-se rapidamente para mais de 600!

O êxito da iniciativa e o acolhimento que esta iniciativa obteve, obrigou ao alargamento dos horizontes do projecto. O projecto local ganhou dimensão nacional, a “escola” de violinos passou a Orquestra Sinfónica juvenil KAPOSOKA e o suporte e a direcção passaram para a organização central do Estado.

Voltámos agora a “ouvir falar” da Orquestra depois da participação de alguns dos seus elementos no III Festival Internacional de Orquestras Infanto-juvenis que teve lugar em Iguazú (Argentina).

Já em fase de “internacionalização” o Projecto inicial continua no bom caminho!

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Museu do Dundo – a aquisição de objectos etnográficos

Carta Diamang_JR 1937Num trabalho intitulado “Diamang, o Museu e o conhecimento do outro” (in Arte Cokwe , Nov. 2010, Luanda, ESCOM, 2010) o Dr. Manzambi Vuvu Fernando, ao analisar as formas de obtenção de objectos para as colecções do Museu, nomeadamente a aquisição por compra, enfatiza que: “contudo, durante a nossa pesquisa não encontramos provas documentais sobre a compra de objectos junto das populações nativas. Comprova-se sim, o sistema de trocas entre objectos culturais, os produtos manufacturados e outros de primeira necessidade que vigorou nesse período das campanhas.”

A ressalva, sem pôr em causa a compra de objectos, lança, contudo, algumas suspeitas sobre a sua realidade. Todavia, sem querer negar outras formas de aquisição, que são conhecidas e estão perfeitamente documentadas, queremos ressaltar que, de facto, muitos dos objectos que integram as colecções do Museu foram adquiridos por compra.E, ao contrário do que Vuvu Fernando refere, existem documentos que suportam esta afirmação. Sem pretender ser exaustivo, permitimo-nos apresentar apenas uma carta enviada pela Direcção Técnica da Companhia dos Diamantes de Angola em 14 de Junho de 1937 cuja digitalização aqui colocamos.

Na altura, em plena Campanha do Cuango, encontrava-se José Redinha no Cassai para onde lhe são remetidos alguns dos objectos que anteriormente solicitara em carta enviada de Monaquimbundo para a direcção, no Chitato).

A carta a que nos referimos, é uma espécie de Guia de Remessa que acompanha os materiais solicitados: tabaco, renoleina e 3 outros volumes de conteúdo não explicitado. Mas, para além desses materiais, a direcção envia também um total de 5.483,00 angolares cujo destino define detalhadamente.

Nesse montante, refere-se, estão incluídos 2.000,00 angolares “para compra de objectos”.

Entre outras formas, a compra de objectos etnográficos, foi uma das formas usadas para enriquecimento das colecções do Museu e, ao contrário do que sustenta Vuvu Fernando, existem provas documentais que o comprovam.

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30º aniversário do falecimento de JOSÉ REDINHA

ImageNo dia 16 de Abril de 1983, em Lisboa, na sequência da intervenção cirúrgica a que foi submetido, faleceu o fundador e primeiro Conservador do Museu do Dundo, hoje, Museu Regional do Dundo, em boa hora re-aberto no ano passado, depois das obras de reabilitação a que foi sujeito.

Na imagem, com dois colegas também funcionários da Diamang, Redinha aparece com uma espécie de farda militar e botas que utilizou largamente nas “campanhas” que foi levando a cabo nas actuais províncias da Lunda Norte e Sul, de 1937 a 1946.

As “campanhas” eram digressões pedestres efectuadas em território das Lundas (às vezes, até para além dos seus limites) que integravam, para além de José Redinha, um grande número de ajudantes para as mais diversas tarefas.

A duração destas expedições prolongava-se por meses e destinavam-se a recolher objectos e peças etnográficas (que depois eram integradas no Museu). Todavia, dado o espírito abrangente e a curiosidade multifacetada de José Redinha, essas marchas serviram também para coligir diversas observações científicas nas mais diversas áreas: da Botânica à Zoologia e à Geografia.

A mais importante destas campanhas desenrolou-se durante o ano de 1946 e deu origem à obra, em 2 volumes, denominada “Campanha do Tchiboco”, que integram as Publicações Culturais da Diamang.

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Os crocodilos do Museu

O Museu do Dundo, embora na sua génese se perfilasse como museu essencialmente etnográfico, não desdenhava integrar secções de diversas áreas do saber (Botânica, Zoologia, Arqueologia, etc) e, para o seu enriquecimento, colaboraram activamente muitos funcionários da Diamang cujas actividades não estavam, de nenhuma forma, ligadas ao Museu.

Foi assim que, a pedido do Acácio Videira, no longínquo ano de 1951, o espólio do museu foi enriquecido com 4 crocodilos, nascidos no local, de ovos para aí enviados pelo prospector Alberto dos Santos Champlon.

A história é simples e deliciosa: andando o prospector em actividade no Camissombo, teve a sorte de encontrar um “ninho” de ovos de crocodilo, num total de 41! Recordado do pedido que lhe havia sido feito pelo Acácio Videira, logo se lembrou de os remeter ao Museu.

Se bem o pensou, melhor o fez! Acondicionou o melhor que pode 37 ovos (4 não puderam ser enviados: 2 perdidos no rio e outros dois partidos durante a recolha) e enviou-os acompanhados de missiva apropriada onde se referia que os ovos estariam a rebentar e os pequenos crocodilos estariam prestes a nascer!…

Recebidos em bom estado pelo conservador do Museu, José Redinha logo enviou carta de agradecimento prometeu juntá-los ao espólio do Museu expondo-os da forma  mais conveniente. 

A exposição, todavia, apenas pôde ser feita com 33 ovos!

É que, de 4 dos ovos recebidos, saíram os, provavelmente únicos, crocodilos nascidos no Museu do Dundo!… Quiçá, em todos os museus do Mundo!

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