A CONDIÇÃO HUMANA

A vida é estranha.

Pensei muito nela, ponderei longamente e, no entanto, todos os dias a acho mais estranha.

Porquê esta ânsia de viver?

A vida é uma aposta que ninguém vence!

Viver é trabalhar e sofrer até a velhice nos surpreender a estender as mãos para as cinzas frias de fogueiras apagadas. Viver custa muito.

É na dor que o bebé dá o primeiro vagido; é na dor que o velho lança o último suspiro. Mas, embora os seus dias estejam cheios de adversidade e tristeza, o ser humano só se entrega aos braços abertos da morte vacilando, caindo, virando a cabeça para trás, lutando até ao fim!

No entanto, a morte é gentil. Apenas ela consegue pôr termo definitivo à dor e à tristeza.

Só a vida e as coisas da vida nos podem ferir.

Contudo, amamos a Vida e detestamos a Morte!

É muito estranho!…

(Jack London, Tales of the far north)

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SIDERURGIA TRADICIONAL ANGOLANA

Um inédito de José Redinha, publicado no âmbito do Projecto JR, que condensa o trabalho e a investigação deste etnólogo sobre a metalurgia do ferro em Angola.
A abordagem do tema desenvolve-se na totalidade do quadro geográfico angolano.

Trata-se, por isso, da obra mais completa sobre o desenvolvimento das actividades de fundição e ferraria em Angola, sem esquecer o seu enquadramento no quadro global do continente africano.

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José Redinha e a Siderurgia tradicional angolana

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108º ANIVERSÁRIO DE JOSÉ REDINHA

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Soba Sa-Kavula e Soba Sa-Kapuma

Comemorando o 108º aniversário do nascimento de

 JOSÉ REDINHA

Nascido em Alcobaça a 16 de Fevereiro de 1905, parte para Angola a 21 de Fevereiro de 1927. Depois duma episódica passagem pelos Serviços de Administração Civil de Angola no Quimbumbe, seguiu para a Lunda (Chitato), onde foi recrutado para trabalhar na Diamang – Companhia dos Diamantes de Angola.

De 1936 a 1946, planeou, organizou e dirigiu diversas missões (campanhas) de reconhecimento territorial, étnico e cultural no interior da Lunda e do Alto Zambeze onde percorreu mais de 15.000 quilómetros efectuando pesquisas científicas, realizando investigações e recolhendo materiais etnográficos representativos dos mais relevantes aspectos da cultura material das populações locais, na ordem dos vinte milhares de peças.

O elevado apreço do trabalho que desenvolveu junto da comunidade Quioca (Lunda-Tchokwe) levou à sua nomeação como Soba dessa comunidade, em 1938. Investido nessa função pelo Soba Sa-Cavula, passou a ser conhecido localmente por «Sa-Kapuma» (que, traduzido literalmente, significa «Soba Feiticeiro»).

Depois da sua saída da Lunda por razões de saúde, em 1959, dirigiu o Museu de Angola até 1961, ano em que ingressou no IICA – Instituto de Investigação Cientifíca de Angola, onde trabalhou até à reforma, em 1970.

Foi Director-Geral do Ensino Superior em 1975 e 1976 e Etnólogo-consultor do Ministério da Educação e Cultura de Angola entre 1979 e 1983.

Licenciado em Ciências Sociais e Políticas pelo ISCPS da Universidade Técnica de Lisboa (1966) faleceu em Lisboa, em 16 de Abril de 1983, deixando um conjunto extenso de trabalhos inéditos dentre os quais destacamos: Manual de Etnologia, Notas sobre a circuncisão e ritos de passagem, Notas sobre a História da Lunda e de Angola, Mahambas, Culto e religião, Álbum e Apontamentos de campo sobre tatuagens, Notas sobre arte, simbologia e desenhos Africanos, Pinturas murais, Peças de adivinho, Ideogramas e artesanato, Álbum de desenhos de figuras humanas, uma vasta colecção de Mapas sobre sobados, distribuição étnica e migrações, Notas sobre os povos Kikongu, Kimbundu, Notas sobre a estação arqueológica de Bababala, Notas sobre flora, fauna e pesca, Instituições nativas Angolanas, Diários de campanha (Camissombo-Sombo, Alto Zambeze, Tchicapa-Lóvua, Nordeste, Tchiboco, Noroeste), Árvores notáveis da Lunda e Geografia africana

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