O Museu do Dundo, embora na sua génese se perfilasse como museu essencialmente etnográfico, não desdenhava integrar secções de diversas áreas do saber (Botânica, Zoologia, Arqueologia, etc) e, para o seu enriquecimento, colaboraram activamente muitos funcionários da Diamang cujas actividades não estavam, de nenhuma forma, ligadas ao Museu.
Foi assim que, a pedido do Acácio Videira, no longínquo ano de 1951, o espólio do museu foi enriquecido com 4 crocodilos, nascidos no local, de ovos para aí enviados pelo prospector Alberto dos Santos Champlon.
A história é simples e deliciosa: andando o prospector em actividade no Camissombo, teve a sorte de encontrar um “ninho” de ovos de crocodilo, num total de 41! Recordado do pedido que lhe havia sido feito pelo Acácio Videira, logo se lembrou de os remeter ao Museu.
Se bem o pensou, melhor o fez! Acondicionou o melhor que pode 37 ovos (4 não puderam ser enviados: 2 perdidos no rio e outros dois partidos durante a recolha) e enviou-os acompanhados de missiva apropriada onde se referia que os ovos estariam a rebentar e os pequenos crocodilos estariam prestes a nascer!…
Recebidos em bom estado pelo conservador do Museu, José Redinha logo enviou carta de agradecimento prometeu juntá-los ao espólio do Museu expondo-os da forma mais conveniente.
A exposição, todavia, apenas pôde ser feita com 33 ovos!
É que, de 4 dos ovos recebidos, saíram os, provavelmente únicos, crocodilos nascidos no Museu do Dundo!… Quiçá, em todos os museus do Mundo!