Actualmente, quando em qualquer ponto do concelho de Alenquer, se fala de moinhos, entende-se, invariavelmente, que estamos a referir-nos a moinhos de vento.
De facto, das velhas estruturas técnicas de moagem, são eles praticamente os únicos sobreviventes. Mas, nem sempre foi assim: no país, no oeste e no concelho de Alenquer.
Uma relíquia com que hoje me deparei, demonstra-o sem equívoco possível.
Nas minhas “escavações” à cata do “passado perdido”, encontrei uma pequena relíquia: um velho livro de leitura da 3ª classe, datado de 1947, em 85ª edição!
Não consegui saber em que data terá sido impressa a primeira, mas, por certo, muitos anos atrás!…
Nesse livro, uma das leituras, tem por título “O moinho”.
E não é um moinho de vento! É um velho moinho de água que durante longos séculos, em todas as regiões do país, transformou o grão em farinha e alimentou as bocas da nossa gente.

O lançamento da ideia de uma candidatura dos moinhos do Oeste a Património Mundial tem feito surgir inúmeras publicações (nas redes sociais) que, por regra, se confinam a um aspecto de mera fruição estética da imagem do moinho de vento.
É evidente que, pela localização, pela arquitectura, pela paisagem onde se inserem, os moinhos de vento são objectos belos e muito atractivos.
Contudo, reduzir à fruição deste elementos patrimoniais à sua inquestionável beleza plástica, é amputá-los de todo o significado cultural que poderá conduzir esta potencial candidatura a bom termo.
Por outro lado, um outro aspecto importante a ter em conta, é a sua inserção não apenas no contexto de vida das populações a que serviram, mas no meio tecnológico existente com função idêntica: em competição ou em conjunção.
Vem isto a propósito da existência e do papel dos moinhos de água no concelho de Alenquer.
Embora, hoje, as pequenas linhas de água do concelho sejam de uma exiguidades de águas tal que se torna difícil imaginá-las a fornecer energia suficiente para mover a roda de um moinho, nem sempre foi assim!
Importa, portanto, numa óptica de conhecimento, conservação e fruição do nosso património comum, não esquecer nem escamotear esta realidade.
