FESTA(s) NA ALDEIA(s)

O mês de Agosto é o mês das “festas de aldeia”.

Duas condições fundamentais, coincidentes nesse mês, sustentam este fenómeno.

Em primeiro lugar, ao contrário do que acontece durante os outros meses do ano, as aldeias estão cheias de gente e de vida!

Depois, a tradição impõe algumas “obrigações” sociais como sejam o “encontro de família” e o reacender de um sentimento identitário que, lá no fundo, apesar das tintas frágeis duma enganadora modernidade cosmopolita, continua a sobreviver nas almas simples dos “velhos” emigrantes, eterna e visceralmente rurais.

Como dizia um amigo que, para sua grande frustração, tinha nascido na cidade de Lisboa, também eu, pelas contingências da vida, “não tenho terra“! A não ser uma “terra” adoptiva (a que chamo minha!) onde, a cada ano, regresso “para a festa”!

Ir à festa significa rever familiares desaparecidos durante todo o ano… significa ouvir aquela música execrável cantada (?!) por “artistas” que ninguém conhece… significa empanturrar-se com “aquele prato típico” que, por tradição, tem que integrar a ementa festiva… significa, enfim, assistir a uma procissão triste e pindérica onde impera a desorganização e os sentimentos mais obsoletos de uma espiritualidade feiticista e mágica!

Apesar de reconhecer que “ir à festa” é mergulhar num universo cultural de um obscurantismo completamente anacrónico… não sei porquê, mas continuo a ir!…

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About A. Santos

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1 Response to FESTA(s) NA ALDEIA(s)

  1. José Cardoso's avatar José Cardoso diz:

    …como sempre um texto extraordinário

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