Cristiano Ronaldo – Bola de Ouro da FIFA 2013!

Cristiano Ronaldo Awarded The FIFA Ballon d’Or 2013!

Merecido e reconhecido!

Texto de um blog americano que me pareceu interessante partilhar.
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Plano de reordenamento da Baixa de Alenquer

Plano de reordenamento da Baixa de ALENQUER

Numa louvável atitude de participação cívica, no final do ano passado, o alenquerense Frederico Rogeiro tomou decisão de apresentar à Câmara Municipal desta vila um Plano de reordenamento da sua Baixa. Hoje à tarde, patrocinado pela concelhia da CDU, efectuou a apresentação pública do seu projecto na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal.

Neófito nestas andanças, confesso que não esperava plateia tão robusta, apesar de me parecer algo “homogénea” e com representação “civil” escassa. Mas esses pecadilhos, se reais, não embaciam o número luzidio que enchia totalmente a sala.

A apresentação dividiu-se em três partes: a primeira, uma introdução teórica sobre a evolução do urbanismo; a segunda, foi a apresentação pública do projecto; a última, foi um período de colocação de questões e debate.

Sobre a primeira parte, longa e algo fastidiosa, nada a dizer. À terceira parte não pude assistir. Foi na segunda que concentrei as minhas atenções até porque ela era a razão central da apresentação pública.

A visualização dos diagramas da intervenção a efectuar na malha urbana da Baixa de Alenquer e os comentários do autor foram suficientemente esclarecedores do que se propõe. No final não nos restam quaisquer dúvidas de que o Projecto de Reordenamento proposto se centra (e também se esgota!) na reorganização dos fluxos viários na baixa alenquerense, necessariamente alterados pela opção proposta de encerrar ao trânsito as ruas Triana e Sacadura Cabral.

Não tenho formação técnica suficiente para formular um juízo de valor sobre a valia técnica das soluções apresentadas ou, eventualmente, apresentar alternativas. Aquilo que vi pareceu-me escorreito e coerente.

Todavia, algumas questões, para mim fundamentais, permaneceram sem resposta. Aliás, nem sequer foram afloradas.

Senão vejamos:

– Quais são os problemas a que este projecto quer resolver?

– Quais são os objectivos?

– Que “valor acrescentado” traz este projecto aos habitantes de Alenquer (da vila e do concelho)?

– Finalmente: porque é que se adoptou esta solução e não uma outra qualquer?

Sem querer sequer beliscar o voluntarismo do autor e a valia técnica do projecto, estas são, para mim, as questões a que teremos de responder ANTES de passar às eventuais soluções.

Na minha óptica, respostas meramente técnicas a questões que ultrapassam largamente este horizonte estão condenadas ao fracasso.

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Compro o que é nosso, ou a política dos 5 Pês

Compro oqe nossoNo início da década de 30 do século XX, depois de falhadas as tentativas mais consistentes de derrube da ditadura militar e de restauração do regime parlamentar da I República, Portugal assiste ao estabelecimento, à organização e à consolidação do Estado Novo.

A institucionalização do novo regime constitui-se num processo muito complexo de reorganização de estruturas e reformulação de políticas estratégicas que abarcam todas as áreas da vida e da actividade públicas.

Deixando de lado os aspectos que, para o assunto que queremos abordar, se apresentam como marginais, por ser aquele que agora importa, vamos circunscrever-nos apenas ao sector industrial.

Num quadro global de enfrentamento duma situação de grave crise financeira que se vivia à época, a necessidade de diminuir as importações surgiu como evidência incontestada. Dessa constatação à formulação duma estratégia de desenvolvimento industrial centrada na substituição de importações foi um passo simples dado pelos industriais portugueses, agrupados em torna da AIP.

A partir de 1928, a AIP concebe e leva a cabo uma estratégia, inteligente e estruturada, para a difusão dos seus pontos de vista que reclamavam a necessidade do “arranque industrial”  do país e defendiam o papel vanguardista da indústria na modernização de Portugal, abandonando definitivamente a tradicional feição agrícola da nação portuguesa.

A acção da AIP e dos seus associados desdobrou-se num conjunto alargado de realizações e manifestações públicas que incluíram, para além da fundação duma revista especializada nas questões industriais e de defesa dos interesses industrialistas (a revista Indústria Portuguesa, cujo primeiro número saiu em Março de 1929), conferências (na Liga Naval em 1928), um feira de Amostras da Indústria Portuguesa (Estoril, Outono de 1929), a Semana do Trabalho Nacional (1931) e a Grande Exposição da Indústria Portuguesa desenrolada em dois momentos distintos (1º ciclo da exposição, de Outubro a Dezembro de 1932; 2º ciclo, de Junho a Outubro de 1933, no Parque Eduardo VII.

Este conjunto significativo de iniciativas culmina no Congresso da Indústria que se realizou em simultâneo com a Grande Exposição Industrial e que Salazar encerrou com um discurso célebre onde definiu o papel da indústria, dos industriais e da intervenção estatal no sector.

Nas conclusões do Congresso e no discurso de encerramento estão concertadas as ideias mestras da estratégia de desenvolvimento industrial do Estado Novo cujo eixo central rola à volta da implantação de indústrias dimensionadas para o mercado interno, protegidas pelos elevados direitos aduaneiros impostos à concorrência externa e produzindo artigos nacionais em substituição de produtos importados.

Concertadas estratégias com o poder, importava atrair/condicionar os consumidores nacionais a esta estratégia de produção industrial. Atalhando caminho em direcção ao essencial, diremos que toda a estratégia de publicidade e propaganda assumiu cariz fortemente nacionalista e foi sintetizada no slogan deveras atractivo e fortemente motivador dos cinco pés: Portugueses patriotas, preferi produtos portugueses!

Ao olhar para o selo “Compro o que é nosso” e as circunstâncias em que ele aparece não posso deixar de sorrir…

A vida é muito interessante!… 

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 “A f-orça das circunstâncias”, in Industria Portuguesa, nº 55, Setembro 1932.
Rosas, Fernando, «Comerciantes e funcionários», in História de Portugal, Circulo de Leitores, Lisboa, 1994, pg. 101.
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Missão de Recolha de Folclore

Bettencourt Faria e esposa

Bettencourt Faria e esposa

Bettencourt Faria – Um técnico de som na Lunda

Na pesquisa dos passos da longa peregrinação de José Redinha por terras da Lunda (Angola) somos necessariamente forçados a percorrer os labirintos da memória da Diamang.

E, neste bosquejo paciente e moroso, a cada passo tropeçamos com o inesperado! Quer no que respeita à Companhia dos Diamantes, quer nas personagens mais inesperadas que aí se cruzam.

Foi o caso, para nós absolutamente impensável, de encontrarmos por lá um dos nossos “velhos” conhecidos (infelizmente desaparecido em condições trágicas): Carlos Mar Bettencourt Faria.

A largueza multifacética do seu saber, a capacidade expositiva e a simplicidade dum ser humano de grande qualidade, constituíram para nós os fundamentos da admiração que, desde a adolescência, sempre nutrimos por ele. Antes de o conhecermos pessoalmente no “seu” Centro Espacial da Mulemba (onde passámos algumas férias a “ouvir” os satélites a fotografar o planeta), já o conhecíamos por via da rubrica radiofónica “O Cosmos em sua casa”, transmitida semanalmente no programa “Café da Noite” do saudoso Sebastião Coelho (que viemos também a conhecer pessoalmente, mais tarde – já depois da independência de Angola).

O que nunca nos teria passado pela cabeça, – nem ele nunca no-lo referiu durante o período em que, de bom grado e com entusiasmo juvenil, frequentámos a Mulemba, – é que ele fora para Angola, em 1951, para trabalhar na Companhia dos Diamantes de Angola! Foi essa uma grande surpresa que os documentos do espólio da Diamang nos revelaram!

Contratado para integrar a Missão de Recolha de Folclore, ele próprio descreve as suas funções em escrito no jornal “A Província de Angola”: “Eu era o técnico de gravação de som, o desenhador e inquiridor-mor [das populações da lunda] sobre instrumentos e até das armas indígenas,(1)” Embora a sua contratação se tenha efectuado como técnico de som , o seu espírito multifacetado e irrequieto não lhe permitiu remeter-se e acomodar-se à função técnica para que tinha sido contratado.

Da sua breve passagem pela Diamang (não conseguimos apurar a data exacta da desvinculação, embora saibamos que, em 1959, Bettencourt Faria já era “ex-empregado” da companhia conforme refere o chefe da Missão, Pinho Silva, na Nota nº 92 dirigida à Administração em 22-07-1959) fica registado o trabalho técnico (Relatório transcrito na Nota nº 26 de 29-09-1953), mas fica também e sobretudo a profusão e a qualidade dos 84 desenhos de instrumentos musicais utilizados pelos povos da Lunda. Ngomas, quissanjes, marimbas e luzenes estão aí desenhados ao pormenor, detalhes ressaltados, dimensões registadas ao milímetro, verdadeiros registos etnográficos da cultural musical lunda!  Uma faceta mais a acrescentar a todas as que lhe conhecíamos…

Desta sua passagem pela Lunda, para além dos registos fonográficos que efectuou, resultou um pequeno trabalho de cariz etnográfico: “O tiro com arco e setas praticado pelos indígenas do nordeste de Angola”, publicado inicialmente no Mensário Administração, e depois reproduzido na Geográfica, a revista da Sociedade de Geografia de Lisboa (2).

Foi o primeiro de alguns outros escritos com que, pela vida fora, foi registando aspectos da sua múltipla actividade como astrónomo, técnico de electrónica, cientista, inventor, mergulhador, biólogo, piloto do autogiro de construção própria, radio-amador, fotógrafo…

Verdadeiramente um ser de excepção cujos interesses se espraiavam pela totalidade do saber!

(1) Faria, C. M. Bettencourt, Sa-nha-gui-kine, in Província da Angola, Suplemento de Domingo, ano XXIV, nº 1177, Luanda, 05-07-1959.
(2) Mensário Administrativo, nº 155 – 160, 1960, pp. 41-55. Também Geográfica, nº 18 (Abril), 1969, pp. 23-34.
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