
Plano de reordenamento da Baixa de ALENQUER
Numa louvável atitude de participação cívica, no final do ano passado, o alenquerense Frederico Rogeiro tomou decisão de apresentar à Câmara Municipal desta vila um Plano de reordenamento da sua Baixa. Hoje à tarde, patrocinado pela concelhia da CDU, efectuou a apresentação pública do seu projecto na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal.
Neófito nestas andanças, confesso que não esperava plateia tão robusta, apesar de me parecer algo “homogénea” e com representação “civil” escassa. Mas esses pecadilhos, se reais, não embaciam o número luzidio que enchia totalmente a sala.
A apresentação dividiu-se em três partes: a primeira, uma introdução teórica sobre a evolução do urbanismo; a segunda, foi a apresentação pública do projecto; a última, foi um período de colocação de questões e debate.
Sobre a primeira parte, longa e algo fastidiosa, nada a dizer. À terceira parte não pude assistir. Foi na segunda que concentrei as minhas atenções até porque ela era a razão central da apresentação pública.
A visualização dos diagramas da intervenção a efectuar na malha urbana da Baixa de Alenquer e os comentários do autor foram suficientemente esclarecedores do que se propõe. No final não nos restam quaisquer dúvidas de que o Projecto de Reordenamento proposto se centra (e também se esgota!) na reorganização dos fluxos viários na baixa alenquerense, necessariamente alterados pela opção proposta de encerrar ao trânsito as ruas Triana e Sacadura Cabral.
Não tenho formação técnica suficiente para formular um juízo de valor sobre a valia técnica das soluções apresentadas ou, eventualmente, apresentar alternativas. Aquilo que vi pareceu-me escorreito e coerente.
Todavia, algumas questões, para mim fundamentais, permaneceram sem resposta. Aliás, nem sequer foram afloradas.
Senão vejamos:
– Quais são os problemas a que este projecto quer resolver?
– Quais são os objectivos?
– Que “valor acrescentado” traz este projecto aos habitantes de Alenquer (da vila e do concelho)?
– Finalmente: porque é que se adoptou esta solução e não uma outra qualquer?
Sem querer sequer beliscar o voluntarismo do autor e a valia técnica do projecto, estas são, para mim, as questões a que teremos de responder ANTES de passar às eventuais soluções.
Na minha óptica, respostas meramente técnicas a questões que ultrapassam largamente este horizonte estão condenadas ao fracasso.