No início da década de 30 do século XX, depois de falhadas as tentativas mais consistentes de derrube da ditadura militar e de restauração do regime parlamentar da I República, Portugal assiste ao estabelecimento, à organização e à consolidação do Estado Novo.
A institucionalização do novo regime constitui-se num processo muito complexo de reorganização de estruturas e reformulação de políticas estratégicas que abarcam todas as áreas da vida e da actividade públicas.
Deixando de lado os aspectos que, para o assunto que queremos abordar, se apresentam como marginais, por ser aquele que agora importa, vamos circunscrever-nos apenas ao sector industrial.
Num quadro global de enfrentamento duma situação de grave crise financeira que se vivia à época, a necessidade de diminuir as importações surgiu como evidência incontestada. Dessa constatação à formulação duma estratégia de desenvolvimento industrial centrada na substituição de importações foi um passo simples dado pelos industriais portugueses, agrupados em torna da AIP.
A partir de 1928, a AIP concebe e leva a cabo uma estratégia, inteligente e estruturada, para a difusão dos seus pontos de vista que reclamavam a necessidade do “arranque industrial” do país e defendiam o papel vanguardista da indústria na modernização de Portugal, abandonando definitivamente a tradicional feição agrícola da nação portuguesa.
A acção da AIP e dos seus associados desdobrou-se num conjunto alargado de realizações e manifestações públicas que incluíram, para além da fundação duma revista especializada nas questões industriais e de defesa dos interesses industrialistas (a revista Indústria Portuguesa, cujo primeiro número saiu em Março de 1929), conferências (na Liga Naval em 1928), um feira de Amostras da Indústria Portuguesa (Estoril, Outono de 1929), a Semana do Trabalho Nacional (1931) e a Grande Exposição da Indústria Portuguesa desenrolada em dois momentos distintos (1º ciclo da exposição, de Outubro a Dezembro de 1932; 2º ciclo, de Junho a Outubro de 1933, no Parque Eduardo VII.
Este conjunto significativo de iniciativas culmina no Congresso da Indústria que se realizou em simultâneo com a Grande Exposição Industrial e que Salazar encerrou com um discurso célebre onde definiu o papel da indústria, dos industriais e da intervenção estatal no sector.
Nas conclusões do Congresso e no discurso de encerramento estão concertadas as ideias mestras da estratégia de desenvolvimento industrial do Estado Novo cujo eixo central rola à volta da implantação de indústrias dimensionadas para o mercado interno, protegidas pelos elevados direitos aduaneiros impostos à concorrência externa e produzindo artigos nacionais em substituição de produtos importados.
Concertadas estratégias com o poder, importava atrair/condicionar os consumidores nacionais a esta estratégia de produção industrial. Atalhando caminho em direcção ao essencial, diremos que toda a estratégia de publicidade e propaganda assumiu cariz fortemente nacionalista e foi sintetizada no slogan deveras atractivo e fortemente motivador dos cinco pés: Portugueses patriotas, preferi produtos portugueses!
Ao olhar para o selo “Compro o que é nosso” e as circunstâncias em que ele aparece não posso deixar de sorrir…
A vida é muito interessante!…
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