Ao contrário de algumas in-verdades que circulam sobre esta matéria, – especialmente na Internet, – e que atribuem a fundação a outras pessoas, nomeadamente ao Dr. Mesquitela Lima, o Museu do Dundo tem a sua génese numa pequena colecção de peças recolhidas por José Redinha ainda em funções na Administração Civil, no Posto do Chitato.
Como ele próprio refere no Relatório Anual de 1947 (RA, 1947 : 3) enviado à Administração da Diamang: “A relação de 145 objectos é também datada de 1936. Não existia relação em arquivo por se tratar da nossa colecção particular cedida ao Museu. Foi agora tirada cópia do original e arquivada constando dela nomes e origem exacta das respectivas peças.”
Barros Machado, no texto introdutório ao estudo do espólio da Companhia dos Diamantes de Angola (Diamang) referido na nota-de-rodapé, baseando-se em informação fornecida por amigos de José Redinha e seus coetâneos, refere as condições em que terá sido efectuada a aquisição da pequena colecção que constituiu o núcleo original do Museu do Dundo.
José Redinha, terminado o tempo de serviço na Administração Civil do Posto do Chitato, seria forçado a sair da região dispondo-se a gozar férias em Portugal donde se ausentara há cerca de oito anos. “Em jeito de homenagem de despedida e de ajuda financeira,” um grupo de amigos, conhecedores dos seus dotes artísticos de notável retratista, promoveram uma exposição com quadros de sua autoria aos quais adicionaram alguns dos objectos etnográficos por si recolhidos. A exposição e a festa tiveram lugar na Casa do Pessoal da Diamang, na vizinha povoação do Dundo. Foi nessa ocasião que o Administrador– Delegado da Companhia dos Diamantes, Engº Quirino da Fonseca, decidiu a aquisição das peças expostas e decidiu, em simultâneo, reter o coleccionador contratando-o para trabalhar para a Diamang na recolha de peças para uma projectada “Colecção etnográfica”.
Essa pequena colecção de peças, adquirida pela Diamang em 1936 a José Redinha, foi o núcleo primordial da “Colecção Etnográfica” da companhia, tendo sido inicialmente exposta “em instalações adaptadas e provisórias pertencentes à Companhia dos Diamantes de Angola”.
Nos anos seguintes, a colecção etnográfica – que, no dizer de Barros Machado, “visava estudar a área cultural das populações Lunda-Tchokwe e povos circunvizinhos” foi grandemente enriquecida com a rápida agregação de inúmeros peças, artefactos e objectos etnográficos, na sua maioria adquiridos durante as Campanhas de Reconhecimento etnográfico levadas a cabo por José Redinha entre 1936 e 1946 (que abordaremos noutra ocasião).
Em 1938, a colecção contava já 3.707 peças. Pela dimensão e pelo sentido que se lhe pretende dar, o conjunto deixa de ser designado como colecção e passa a integrar então o nóvel “Museu Etnográfico” da Diamang. Em 1942, as 5.230 peças já não cabem nas instalações adaptadas a museu e, por decisão da Administração, inicia-se a construção de edifício próprio, formalmente inaugurado em 1948.
A partir de 1942, o agora designado (depois da re-inauguração em 2012) Museu Regional do Dundo será definitivamente apelidado de Museu do Dundo.
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