Angola: Luanda, trinta e três anos depois (II)

De 1973 até 1978 fui professor num liceu que, pelo meio trocou de nome! No furor revolucionário da independência de Angola, – que, devo confessar, também me contagiou! – de Guiomar de Lencastre, passou a Nzinga Mbandi.

Quando, acossado pela desconfiança que se lia nos olhares dos colegas que me tinham como suspeito de simpatias pelo “nitismo” (grande parte dos meus amigos já tinham “ido dentro” como se dizia à época…), troquei o ensino por ocupação mais tranquila e de menor exposição, o Liceu já era uma sombra do que fora. Quer em função do número de alunos, quer pela degradação das instalações.

Durante as guerras fratricidas da pré-independência angolana, as aulas tinham sido suspensas e o edifício serviu de alojamento a milhares de deslocados que aí procuraram refúgio e protecção. Como é óbvio, a usura das instalações foi tremenda e deixou marcas num edifício a que tinha sido dada uma utilização incompatível com as características e os os objectivos da sua construção.

No passado dia 10, regressei a esse local, 40 anos depois!

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Devo confessar que tive dificuldade em identificar o local e reconhecer a escola onde ensinei durante cinco anos!

O edifício, anteriormente implantado em território desafogado, está hoje submerso por construções de variadíssimas tipologias que o cercam. Com visibilidade nula a partir da Praça da Independência, implantada no troço inicial daquilo que era a Estrada de Catete, apresenta uma fachada suja e de vidros partidos. Os painéis pintados que alegravam os panos laterais que enquadram a portaria são hoje sombras desbotadas pela inclemência do sol.

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O largo fronteiro ao Liceu, agora esburacado e sujo, está transformado num parque de estacionamento desordenado onde não cabe mais nenhuma viatura.

Nas traseiras, o espaço ajardinado deu lugar a uma espécie de aterro sanitário a céu aberto onde se acumulam caixotes a transbordar de lixo!

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Do lado de lá da rua, a antiga Escola Industrial (que já foi Makarenko e agora é o Instituto Médio de Formação Industrial), em contraponto com o que temos no Njinga Mbande, mantém-se limpo e conservado! 

O mesmo aspecto cuidado evidenciava o antigo Liceu Salvador Correia agora transformado em escola de formação de professores (Escola Mutu ya Kevela).

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Só o “meu” Liceu continua abandonado, a solicitar restauro urgente! Porquê?!

Situações tão diametralmente opostas só podem explicar-se pelas diferenças de  qualidade das pessoas que dirigem aquelas instituições!…  

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1 Response to Angola: Luanda, trinta e três anos depois (II)

  1. Desconhecida's avatar Anónimo diz:

    Que pena…um dia será apenas uma sombra

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