Orçamento e Finanças num país de loucos?

loucosHá quem pense que as dificuldades que hoje todos enfrentamos (individualmente e como grupo social) são de génese recente, quer se lhe atribuam razões de política interna, quer as culpas sejam maioritariamente imputadas a conjunturas internacionais.

Temos para nós que a situação actual tem raízes muito alongadas no tempo. Desde que nos conhecemos como nação autónoma, os gastos de manutenção do poder central (seja em monarquia, seja em república) foram sempre maiores que a dimensão dos impost0s e das taxas que seria razoável exigir aos cidadãos. Daí resulta que tendo o Estado português, por norma, orçamentos deficitários (os superavitários são excepção) foi tradicionalmente obrigado, por várias vezes. a deitar mão a expedientes para equilibrar as receitas e as despesas. Mesmo assim, não conseguiu fugir a várias “falências” ao longo da sua história!

Estranhamente (ou talvez não!), a explicação para os desequilíbrios orçamentais crónicos nunca foi colocada na óptica da dimensão do estado e, especialmente, nos custos da sua manutenção.  A explicação variou consoante a época, os actores do poder e a disponibilidade dos cidadãos para aceitar uma ou outra justificação: Da necessidade de investimento (de que os privados não eram capazes…) à defesa nacional, passando pelo provimento de estatuto adequado (!) aos ocupantes dos cargos mais elevados das hierarquias do poder até à criação e à manutenção de um “estado social” (cujas exigências, limites e regras nunca ninguém definiu de forma clara), tudo foram boas razões para fazer um pouco mais de despesa.

Para “cobrir” os défices orçamentais todos os estratagemas foram usados. Remotamente usou-se a “venda” de direitos de cobrança de impostos e taxas que eram prerrogativas do governos: dos direitos do comércio de especiarias ao tráfico escravista e à exploração mineira em regime de escravatura; descobriu-se depois que, com o aval do estado, era possível obter grande volume de financiamentos bancários que mascaravam as contas do estado; posteriormente descobriu-se que as colónias poderiam e deveriam, não apenas prover à sua manutenção, mas também gerar proveitos para a “metrópole”; junto das organizações internacionais houve também algumas tentativas de obtenção de financiamento para a “despesa nacional”; finalmente descobriu-se que os emigrantes poderiam ser “porquinhos-mealheiro” que entregariam as suas poupanças em troca de licenças para construir, a esmo, pelo país fora, os mamarrachos mais inimagináveis e inestéticos…

Já em tempos que a memória de todos nós abrange, os “abençoados” fundos europeus, caídos do céu,  serviram para cobrir as necessidades financeiras da sementeira de betão que se realizou em todo o país. Com o esgotamento deste filão, foram exploradas outras formas mais sofisticadas de financiar orçamentos cronicamente deficitários (que alguns vendedores de ilusões até apelidaram de “virtuosamente” deficitários!…): venda de património do estadol (que é de todos nós!…), venda de dívidas (!)… ppp´s… etc.

Entretanto, no final desta longa caminhada, as estruturas nucleares do estado acabaram por ser sequestradas por grupos de “profissionais” da política, de fraca qualidade humana nem masturidade, sem outros horizontes de conhecimento do país que não sejam aqueles abarca a visão da sua própria janela, excelentes conhecedores do que se faz no estrangeiro, mas ignorantes do que se fabrica no seu país, sem percurso profissional significativo nem ligação à vida real, pletóricos da importância dos seus egos sobredimensionados e ocos, cegos pela própria soberba, iluminados pela própria ignorância.

Literalmente: a política ficou entregue a gente menor!… mas com grande capacidade para “vergar a cerviz” diante dos interesses pessoais e dos grandes grupos económicos!  

Agora, que temos o estado falido uma vez mais (sim, porque esta falência não foi a primeira e, suspeito, que não será a última…) e as prebendas já não só não chegam para todos como até já nem são suficientes para manter as benesses autoa-tribuidas, viram-se uns contra os outros clamando: “foste tu o culpado!…” “eu nunca concordei com as ppp´s…” “a culpa foi dos mercados…” ” o euro foi um desastre!…” e outros mimos do mesmo jaez. Fazem birras de miúdos, dizem e desdizem, enganam os incautos e exasperam aqueles que já os não suportam!…

Entretanto, o povo, ou faz greve, ou clama pela queda do governo…

Somos todos loucos… ou somos (des)governados por “jotinhas” incompetentes e irresponsáveis?!…

Desconhecida's avatar

About A. Santos

Vida e memória... Escrever... recordar... viver!...
Esta entrada foi publicada em Política, Portugal com as etiquetas , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

1 Response to Orçamento e Finanças num país de loucos?

  1. Fernando Marinho's avatar Fernando Marinho diz:

    Uma reflexão muito pertinente acerca do estado actual do (des)governo da nossa nação, consubstanciada numa perspectiva historicamente factual e objectiva de que somos hoje o que fomos ontem e, provavelmente, seremos amanhã – será que estamos condenados à ideia de que o ADN é quem mais ordena?!

    Gostar

Os comentários estão fechados.