SANTO ANTÓNIO: de Pádua ou de Lisboa?

Basílica de Santo António

Basílica de Santo António

Chegar a Pádua no dia 13 de Julho à hora da celebração religiosa na Basília de Santo António é uma experiência única que, aliás, se iniciou logo na tentativa para entrar na cidade!

Mal saímos da auto-estrada Pádua-Bolonha, uma fila de trânsito a perder de vista!…
– Será um qualquer problema passageiro que logo estará resolvido, pensei.
Mas o tempo foi passando e o pára-arranca típico das horas de ponta instalou-se definitivamente. Nada de avançar senão aos solavancos… Nem o facto de ser sábado e estarmos a meio da tarde facilitava as coisas!

Alguns, poucos, quilómetros e uma hora depois, a Basílica do Santo à vista! IMG_10360Ruas cortadas, pessoas a pé, carros em manobras incareditáveis. Um pandemónio. O trânsito continuava caótico e nem os esforços dos polícias, apesar do suposto poder e da ajuda do Santo, conseguiam aquilo que, a realizar-se, seria um verdadeiro milagre! O calor aperta e no carro sua-se em bica! Chegar mais perto da basília, impossível!…

Um polícia a que interpelámos sobre como poderíamos chegar à basílica de Santo António atirou convictamente: “Estacionem p´rá aí e… vão a pé!…”

Aquilo que foi a nossa estupefacção face ao suposto “despropósito” policial, depressa se transformou no reconhecimento inequívoco de um conselho inteligente, bem consentâneo com as condições existentes e que, por iss, resolvemos seguir.

Um pequeno senão: estacionamento, nem pensar!

Inúmeras voltas depois, resolvemos também ser inteligentes: chegar o mais próximo possível da basília, estacionar em segunda fila e manter um de nós na viatura para deslocá-la, se necessário, e prevenir eventuais surpresas desagradáveis! Os outros seguiriam a pé até à Igreja.

Quando nos acercámos do santuário, um imenso mar de gente travou a nossa macha a larga distância da porta de entrada! Qualquer tentativa de aproximação seria loucura desproprositada, destinada ao insucesso!

Que fazer para, ao menos, saber o que estava a passar-se?!

Por fim, quando o desânimo já fazia mossa na nossa determinação inicial lá descortinámos um pequeno carreiro de pessoas que, como corrente no mar, deslizavam por entre a multidão em direcção a uma porta lateral. Decidimos tentar a nossa sorte e lá fomos, mais arrastados que caminhando pelo próprio pé, até conseguir entrar no santuário!IMG_10370

Afinal o caminhos de formigas humanas onde nos incorporávamos levava-nos ao mausoléu funéreo do santo que as pessoas, em atitude devota e extasiada, tocavam, beijavam e torneavam o monumento para voltar a sair pelo lado oposto!

Foi assim que, tal como entráramos, voltámos a sair!…

Na rua, o imenso mar de gente aguardava, sem desfalecimento, a procissão que se seguiria aos rituais dentro da igreja.

Decidimos esperar também!

IMG_10375

Finalmente, a procissão pôs-se em mascha. A abrir, os escuteiros; depois, todo o tipo de confrarias, associações, voluntários, bombeiros, polícias, protecção civil, ordens religiosas, autoridades militares e civis, peregrinos das mais diversas proveniências em blocos intercalados com fanfarras e bandas de música. Depois, dois andores: o primeiro, com a relíquia do santo; o derradeiro com a tradicional IMG_10380imagem (incrivelmente alta) de Santo António com o menimo ao colo. A fechar, o clero, vários bispos e até um legado do Papa!

À passagem das relíquias e da imagem do santo os participantes, coadjuvados pelos que apenas ladeavam as ruas para ver a procissão a progredir em passo IMG_10379compassado e lento, batiam palmas calorosas aclamando “il nostro patrono” como diria, no final, o presidente da Câmara de Pádua.

No regresso à igreja, a imagem do santo ficou parada no meio do largo. Á sua frente e na sua presença, os panegíricos de despedida do provincial franciscano, do presidente da câmara e o legado do papa.

Em fim de cerimónia, a benção de todos os presente com a relíquia de Santo António. Para despedida, um voto e uma aclamação: “Até ao próximo ano!” e “Viva santo António” gritou o padre e respondeu a multidão.

Nenhuma referência ao local de nascimento.IMG_10391Il Santo é, de facto, paduano!

Desconhecida's avatar

About A. Santos

Vida e memória... Escrever... recordar... viver!...
Esta entrada foi publicada em Itália, Viagens com as etiquetas , , , , . ligação permanente.

1 Response to SANTO ANTÓNIO: de Pádua ou de Lisboa?

  1. Kristy's avatar Kristy diz:

    That kind of thikning shows you’re on top of your game

    Gostar

Os comentários estão fechados.